«Pretendo uma equipa a controlar o jogo, a gerir o seu ritmo e a mandar, em casa e fora» – Ricardo Sousa

Ricardo André Pinho de Sousa. O apelido deixa pouca margem de erro quando sabemos que se trata de uma figura ligada ao futebol, em geral, e à Associação Desportiva Sanjoanense, em particular.

Escolhido para orientar a formação sénior do futebol alvinegro, Ricardo Sousa prepara-se para, uma vez mais, seguir as pisadas do pai, António Sousa, que deu brilho aos relvados portugueses como jogador e, posteriormente, na função de treinador.

Aos 36 anos, Ricardo, que foi o autor do golo que deu a Taça de Portugal, em 1999, ao Beira-Mar, na altura orientado pelo seu pai, optou pelo fim da carreira de jogador mas não tardou a dar um novo rumo à vida, desta feita na parte de fora das quatro linhas.

Com diversos convites em carteira, o antigo médio diz não ter hesitado na hora da escolha e, com uma proposta da Sanjoanense, assumiu o plantel sénior, naquela que será a primeira experiência como técnico.

Ciente da exigência associada ao cargo, a poucos dias do início oficial da nova época, o agora treinador esteve à conversa com o nosso site e, com expectativas elevadas, abordou o trabalho até agora desenvolvido, refletindo sobre as mudanças, o contexto e os objetivos propostos para o grupo que orienta.

Ricardo, na apresentação como treinador da Sanjoanense disse que aquele era o dia mais feliz da sua vida. Depois de um mês de trabalho com o plantel sénior, mantém os sentimentos e as expectativas em alta?

Sem margem para dúvidas. É uma experiência nova, algo que sabia que, mais tarde ou mais cedo, podia concretizar-se porque queria ficar ligado ao futebol e tinha por ambição começar a treinar. Tive três ou quatro convites para começar em atividade, ainda no decorrer da época passada, mas achei por bem não o fazer porque tinha dado a palavra ao clube em que estava de que acompanharia a equipa até ao fim, uma vez que queria estar com eles independentemente da lesão grave que sofri. Voltei a receber uma proposta no início da época e não aceitei, mas nem hesitei a partir do momento em que a Sanjoanense se chegou à frente e me disse que gostava que integrasse um projeto completamente novo. É um prazer iniciar a minha carreira profissional como treinador no clube onde me formei como jogador. É o clube da minha terra, aquele que acompanhei durante 14 anos. É uma felicidade enorme!

A decisão acabou por surpreender muita gente. Sentiu que a sua missão, enquanto jogador, estava terminada?

Aquilo que as pessoas queriam, no clube onde estava no ano passado, era que eu continuasse a jogar mas, depois da lesão grave que tive e depois de começar a receber algumas propostas para começar a treinar e perceber que um dia gostava de estar deste lado, foi fácil definir que o ponto final tinha chegado. É doloroso ter que encerrar uma carreira depois de 20 anos como profissional e 10 nas camadas jovens… Dói porque ainda queremos estar lá dentro, queremos jogar. Ainda agora, nos primeiros tempos no banco, a bola passa à frente, há um livre, um canto, algo que estava habituado a fazer e é completamente diferente estar no banco ou estar em campo. Mas os objetivos são diferentes, a maneira de estar também tem que o ser e sinto-me completamente preparado para este desafio, apesar de saber que não será uma tarefa fácil porque a Sanjoanense tem sócios que exigem bastante da equipa técnica, dos jogadores e da própria Direção.

Que ambições tem, em termos pessoais, para a nova temporada?

A ambição que um treinador deve ter, desde cedo, é querer ganhar sempre. O único objetivo da Sanjoanense, para a próxima época, é a manutenção. Queremos cimentar o projeto começado na última temporada, queremos voltar a garantir a manutenção no Campeonato Nacional de Seniores, com uma equipa jovem e orçamento muito reduzido, para que no próximo ano possamos ter estabilidade para crescer.

Com o que temos este ano, aquilo que transmito aos jogadores é que perder acaba por nos matar dia após dia. Perder é a pior coisa que existe e nós vamos sempre lutar pelos três pontos, pensando jogo a jogo.

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Ricardo Sousa, treinador da Sanjoanense. Fotografia: Daniel Oliveira/ADS

Falando dessa luta constante pela vitória e da necessidade de resultados, do ponto de vista dos adeptos esta foi uma pré-temporada de registo, com resultados assinaláveis. Quanto ao Ricardo, como treinador, que avaliação faz da preparação feita?

A pré-época foi positiva em vários aspetos. Primeiro porque, ao contrário das restantes equipas, temos um grupo praticamente novo e depois porque temos um jogador com 32 anos, outro com 27 e os restantes com 23 anos ou menos. É um grupo bastante jovem…

Quanto aos resultados, foram aparecendo com naturalidade. Temos uma grande ambição de vitória, independentemente de jogarmos com equipas superiores como foram os casos da Oliveirense, o União da Madeira e o Arouca. Tentámos disputar todos os jogos cara a cara com o adversário, sem olhar à divisão em que nos encontramos. À exceção do jogo com o Arouca, que foi o mais atípico e com maior peso de responsabilidade por ter sido o de apresentação, batemo-nos sempre de igual maneira e é isso que vou querer no campeonato. Pretendo uma equipa a controlar o jogo, a gerir o seu ritmo e a mandar, em casa e fora. E estou certo que será indiferente jogar em casa ou fora porque, com os adeptos que temos, a Sanjoanense terá sempre o seu 12º jogador. Isso será muito benéfico e aproveito para pedir a ajuda da massa associativa porque a equipa técnica, os jogadores e a Direção estão a contar com todos vocês!

As alterações no plantel são, de facto, bastantes, desde a equipa técnica aos jogadores. Sentiu que essas mudanças eram necessárias para dar um novo rumo ao clube, depois de um ano marcado pelo regresso e estabilização nos campeonatos nacionais?

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Fotografia: Daniel Oliveira/ADS

Quando eu cheguei o plantel ainda não estava formado, tinha apenas 5 ou 6 jogadores. Falei com a Direção, que me transmitiu aquilo que queria fazer nesta época e que passava, essencialmente, por dar continuidade a um trabalho de promoção de jogadores da formação, que está a ser feito de forma exemplar. Todos os anos surgem novos jogadores da formação na equipa sénior e este ano não é exceção. Somos um grupo composto por 24 elementos, dos quais 13 pertencem às camadas jovens da Sanjoanense. É a continuação de um projeto, ao qual se aliam os meus conhecimentos e as ajudas do Jorge Neves e do Luís Mota, que nos permitiram ir buscar, com alguma facilidade, 5 ou 6 elementos que serão fundamentais para o nosso sucesso.

Está satisfeito com as opções de que dispõe?

Sem dúvida! Todas as decisões tomadas em termos de contratações foram muito ponderadas. Foram, basicamente, decisões minhas, do Jorge Neves e do Luís Mota e todos os jogadores têm dado resposta positiva. Queríamos jogadores jovens, que possam ser importantes para a Sanjoanense no presente mas que possam, também, dar o seu contributo no futuro. É nisso que pensamos… E com a envolvência que a Sanjoanense tem tido no futebol português, com as vendas que tem feito e com a qualidade que tenho visto nos jogadores, estou plenamente convicto que, no final deste ano, a Sanjoanense pode fazer muito dinheiro com alguns dos elementos que aqui estão.

Uma das características da equipa técnica que lidera é o facto de todos os elementos serem de São João da Madeira e terem feito formação na Sanjoanense. Um dos elementos que o acompanha é Cândido Costa, com quem, como se sabe, tem uma relação de grande proximidade. Vê o Cândido como a sua principal extensão dentro do plantel?

Sim. Este é um projeto conjunto e que já estava a ser preparado há 2 ou 3 anos. Já tínhamos dito que, mais cedo ou mais tarde, a oportunidade apareceria e trabalharíamos em conjunto. O Cândido é e será sempre o meu braço direito em termos de futebol porque é a pessoa em quem mais confio, a pessoa que me dá mais conselhos em relação ao que devo ou não fazer, independentemente das decisões passarem por mim, e é a pessoa que mais ouço. É a minha maior ajuda e a minha maior valia dentro daquilo que pretendo fazer em termos de carreira como treinador de futebol.

Quanto à época que se aproxima, a Sanjoanense continua na Série D do Campeonato Nacional de Seniores e terá pela frente a maioria das equipas que defrontou na temporada anterior. Daquilo que conhece, enquanto jogador e agora treinador, o que se pode esperar deste campeonato?

Vai ser um campeonato complicado. O mais complicado para a Sanjoanense é que, jogando com o Bustelo, o Cesarense, o Estarreja ou o Lourosa, em casa ou fora, estará a jogar derby’s. O Lusitano Vildemoínhos não tem derby’s, o Gafanha também não e quem joga contra a Sanjoanense acaba sempre por dar 200%. Somos um Benfica ou um FC Porto desta série e isso acaba por prejudicar-nos um pouco, mas estamos cientes disso e com vontade de que o campeonato comece o mais rapidamente possível, porque todos os jogadores têm dado sinal positivo e penso que estamos a conseguir prepara-los para os grandes jogos. Isso define o que cada um pode ser no presente e no futuro e acredito que todos eles estão preparados para o que aí vem.

Em relação aos derby’s que agora abordou, um dos motivos de interesse da nova época é, sem dúvida, o regresso dos jogos entre Sanjoanense e Lourosa, clubes que na última temporada integraram séries diferentes. Tendo em conta que um desses encontros é já na primeira jornada, o que espera do adversário?

O Lourosa é um dos adversários mais fortes desta série. Vem da Série C, a mais competitiva do Campeonato Nacional de Seniores, e é uma equipa que tem cimentado a sua posição. É madura, matreira e com experiência. Se calhar sai como favorita para este encontro inicial mas nós estamos cá para tentar contrariar esse favoritismo, para ombrear e lutar pela vitória até ao fim.

Quanto ao contexto do clube, daquilo que conhece da Sanjoanense e depois de um mês de trabalho no clube, quais são, na sua opinião, as condições que faltam para que este possa voltar a assumir-se ao mais alto nível?

Eu penso que a sociedade de São João da Madeira vive um bocado à custa de resultados. A envolvência depende muito dos bons resultados mas penso que os adeptos devem estar com o clube nas alturas boas e más. Se as pessoas se unirem será mais fácil para a Sanjoanense cimentar este projeto e chegar ao topo o mais rapidamente possível. Eu conheço a Primeira Liga, a Segunda Liga e o Campeonato Nacional de Seniores e são poucas as equipas portuguesas, nesta divisão e em superiores, que têm as condições, a ambição, os adeptos e a cidade que a Sanjoanense tem. Penso que, a partir do momento em que a Sanjoanense conseguir unir todos e subir este patamar, que é o mais complicado, poderá chegar ao topo e dificilmente de lá sairá…

O Ricardo teve uma carreira marcante, quer em Portugal quer no estrangeiro. Sente que a experiência acumulada é benéfica para a transmissão das ideias pretendidas aos jogadores que agora orienta?

Sem dúvida. E uma das coisas que me tem deixado satisfeito é que, apesar de serem muito jovens, os jogadores tentam e querem evoluir mais. E a evolução deles para palcos maiores passa um bocadinho pela aprendizagem que vão tendo com cada treinador que os orienta. Eles tentam saber e perguntam o que devem fazer para chegar a um patamar em que eu ou o Cândido estivemos e isso demonstra caráter e ambição da parte deles, que querem realmente crescer. E, quando assim é, penso que tudo se torna mais fácil.

Numa palavra, e mesmo tendo em conta o pouco tempo passado, como define o grupo de trabalho que tem à disposição?

Ambicioso.

Quais são as grandes surpresas deste primeiro mês?

A infra-estrutura que estou a encontrar na Sanjoanense. Penso que tenho que ter algumas palavras de consideração para alguns diretores que nos têm acompanhado, como o Jorge Neves, o Luís Mota, o Filipito, o Pedro Neto e o Bruno Conceição. Têm sido inexcedíveis em tudo o que temos pedido e com o grupo de trabalho e têm-nos dado condições e matéria que nem equipas da primeira divisão têm. E os jogadores têm que aproveitar aquilo que eles têm para nos oferecer.

Para terminar, que mensagem deixa aos adeptos?

Estejam connosco, são o nosso 12º jogador! Volto a dizer que são o nosso jogador mais importante porque são vocês que nos fazem sentir em casa. Temos que nos manter juntos porque juntos somos sempre mais fortes! E tenho a certeza absoluta que, se estiverem connosco, conseguiremos atingir os objetivos pretendidos mais cedo do que se espera. E podem estar completamente descansados, eu vou fazer com que os jogadores dêem o corpo por este clube, por esta instituição, porque eu sou daqui, também o fiz e continuo a fazer!

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Fotografia: Daniel Oliveira/ADS

Pedro Fernandes/Daniel Oliveira

Comunicado: Esclarecimento quanto às regras inerentes à realização dos jogos à porta fechada

Estimados Sócios e Simpatizantes da Associação Desportiva Sanjoanense,

Tendo em conta o castigo aplicado pela Federação Portuguesa de Futebol, que prevê a realização dos dois primeiros jogos oficiais no Estádio Conde Dias Garcia sem a presença de público afeto a qualquer clube interveniente, transmitimos algumas das condições a cumprir, constantes no Artigo 40º do Regulamento Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Assim, de acordo com o referido artigo, esclarece-se que:

“3. Os jogos realizados à porta fechada não podem ser objeto de transmissão televisiva ou radiofónica, quer em direto, quer em diferido.

 4. Nos jogos realizados à porta fechada podem aceder ao recinto desportivo:

a. Os dirigentes dos Clubes intervenientes;

b. O Delegado ao Jogo da FPF e o Observador de Árbitros;

c. As entidades que, nos termos do regulamento das provas em causa, tiverem direito a reserva de camarote;

d. Os membros dos órgãos de comunicação social, sem prejuízo do previsto no número 3;

e. As pessoas e funcionários dos Clubes e da entidade organizadora da prova em questão que sejam essenciais à realização do jogo e que se encontrem devidamente autorizadas para tal, nos termos regulamentares;

f. As restantes pessoas autorizadas nos termos regulamentares a nele aceder e permanecer.”

Gratos pela compreensão.

A Direção da Associação Desportiva Sanjoanense,

Qualidade ditou triunfo no último teste de pré-temporada

  • Sanjoanense derrotou Amarante no último encontro desta pré-temporada.
  • Resultados positivos motivam antes do início oficial.

Convidada pelo Amarante FC para o jogo de apresentação aos sócios e simpatizantes, a equipa de futebol sénior da Sanjoanense deslocou-se ao distrito do Porto, onde derrotou a formação local pela margem mínima (1-0).

Naquele que foi o último teste de preparação para a época que se aproxima, os homens de São João da Madeira acrescentaram um novo crédito à excelente pré-temporada realizada, averbando a quinta vitória em oito jogos.

Sempre bastante comprometidos, os comandados de Ricardo Sousa não concederam espaços ao adversário e, com base na posse de bola constante e numa excelente capacidade de circulação, dominaram do início ao fim, demonstrando, uma vez mais, um forte entrosamento e coesão.

O único golo do jogo foi apontado por Aloísio, já na segunda parte, na sequência de um belo remate em jeito, que só parou no ângulo superior da baliza contrária.

No próximo domingo (23 de agosto), a Sanjoanense recebe o Lourosa, no primeiro encontro oficial da nova temporada, relativo à primeira jornada da Série D do Campeonato Nacional de Seniores (CNS).

No entanto, convém salientar que o encontro se disputará à porta fechada, devido ao castigo imposto pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), na sequência dos incidentes registados na receção ao Camacha, na temporada passada.

Domínio absoluto traduzido em vitória

  • Sanjoanense derrotou Gondomar (3-1) no penúltimo jogo de preparação para a nova temporada.

Em estádio emprestado – o encontro realizou-se em S. Vicente de Pereira, devido aos trabalhos de recuperação do relvado do Conde Dias Garcia –, a Sanjoanense recebeu e venceu o Gondomar por 3-1, dando continuidade aos bons resultados que têm marcado a pré-temporada.

Ainda que com algumas alterações face ao onze que iniciou o jogo diante do FC Arouca, os comandados de Ricardo Sousa mostraram que a qualidade exibicional é uma constante e, com noventa minutos de registo, impuseram o seu jogo, revelando bastante coesão.

Porém, foi uma das habituais apostas que, saído do banco de suplentes, acabou por dar cor ao marcador. Bruno Almeida, que entrou para o lugar de Rúben Alves ainda na primeira parte, colocou os alvinegros em vantagem, na conversão de uma grande penalidade assinalada por falta sobre Júlio.

Por cima no encontro, os homens de São João da Madeira mantiveram o domínio na segunda metade e não tardaram a aumentar a vantagem, com golos de belo efeito de Ronan Jerónimo e Catarino.

Com uma vantagem confortável, a formação da cidade do calçado geriu a partida quase até final, tendo sofrido apenas no último lance do encontro, altura em que não se esperava já outro resultado que não a vitória.

Na tarde de sábado (15 de agosto), o futebol sénior da Sanjoanense desloca-se a Amarante, no distrito do Porto, onde irá realizar o último teste de preparação para a próxima época, que tem início oficial agendado para o dia 23 de agosto.

“Só é possível estarmos na primeira porque muita gente se supera”

São já cinco as temporadas que têm Vítor Pereira como treinador da Sanjoanense. À partida para o novo ano, a palavra de ordem não pode ser outra que não a permanência, pois a realidade do clube assim o obriga. Em entrevista ao nosso site, o técnico antevê aquilo que poderá ser o segundo ano de primeira dos alvi-negros.

Na última temporada, a permanência foi conseguida com muitas dificuldades. Como é que lidou com todas as situações que afetaram a preparação da equipa?

Vítor Pereira: Como dizia o Paulo Bento “com tranquilidade”. Foi complicado gerir várias situações, sabíamos que ia ser um campeonato difícil até porque não estávamos 100 por cento preparados para o ritmo da primeira pois vínhamos de uma realidade diferente. Quando as dificuldades apareceram, tentamos resolver da melhor maneira. Felizmente conseguimos que os jogadores ficassem à margem disso.

Mas tendo estado com a casa às costas, considera que chegou ao primeiro jogo menos preparado do que se tivesse feito a pré-época no Pavilhão dos Desportos?

V.P.: O ritmo que nós tivemos, a falta de organização motivada pelas constantes mudanças de ringue que muitas vezes não davam para fazer o plano de trabalho previsto, fez com que não estivéssemos tão bem preparados. Recordo que, nas primeiras jornadas, perdemos dois jogos pela margem de um golo, contra o Barcelos e contra o Paço de Arcos, que foi o nosso primeiro jogo em casa e tínhamos, nesse dia, o piso a escorregar e mais parecia que estávamos a jogar fora frente a uma equipa muito experiente e estável.

Todas estas pequenas diferenças fizeram como que não embalássemos e com que andássemos na linha de água sempre em sacrifício.

Alguma vez pensou desistir quando o cenário parecia cada vez mais complicado?

V.P.: Sempre senti que íamos conseguir a permanência. É claro que houveram situações menos boas. Sempre disse que sou treinador da Sanjoanense até quando acharem. Os diretores sabem e sabiam disso mas parece-me que era notório que a culpa não era da equipa técnica nem dos jogadores, mas sim de alguma falta de experiência. Desitir não é o meu lema. Era muito mais cómodo subir de divisão e sair ou alcançar a permanência e não ficar, mas eu não estou preocupado com isso mas sim com o trabalho que é preciso desenvolver. Desde que eu sinta o apoio dos Sanjoanenses, continuarei.

Depois de ter conseguido a subida com um pénalti, a permanência foi alcançada com um golo. Sente que foi um final de temporada épico?

V.P.: Da mesma forma que não subimos por uma unha negra, também chegamos à primeira e ficamos lá por uma unha negra. A alcunha de “unhas-negras” dos sanjoanenses fica-nos bem. O segredo tem sido sempre não desistir e é transmitido pelo grupo, adeptos e claque.

Não acaba por ser uma história curiosa para um dia mais tarde recordar?

V.P.: É uma forma diferente mas pelo trabalho que fazemos nas condições que fazemos, merecemos acreditar sempre. Sendo assim, quando conseguimos, o sabor é especial e mais tarde vamos recordar que foi por nunca termos desistido e que foi por um pequeno detalhe que se fez a diferença.

Prepara-se para assumir a equipa pelo quinto ano consecutivo. A família está preparada para mais um ano de ausência?

V.P.: Este ano cheguei ao fim muito desgastado e a família também. Mas para isso contou a preparação inicial que foi alterada e que me fez perder muito tempo fora do ringue. Foi preciso a minha intervenção em muitos problemas. Este ano penso que vamos começar de uma forma mais estável e espero ser o Vítor Pereira 100 por cento debruçado sobre o trabalho técnico e não me desgastar com outras coisas e assim melhorarmos o nosso trabalho dentro do ringue.

A Sanjoanense tem obrigação de fazer mais depois de ultrapassado o ano zero? Ou a permanência é o único objetivo possível para o clube?

V.P.: Tem que ser isto, a permanência. A nossa realidade, se fôssemos a analisar a secção de hóquei, não era compatível para uma I Divisão. Só é possível estarmos na primeira porque muita gente se supera: desde os jogadores, passando pela equipa técnica, diretores, colaboradores e adeptos. Nós só temos que lutar passo a passo para conseguimos a permanência. Eu também gostava de entrar num ano de consolidação com um projeto mais forte mas a realidade da Sanjoanense não permita. Compete-nos apresentar um hóquei melhor e lutar para que quatro ou cinco jogos, o ano passado, onde poderíamos ter pontuado, que consigamos inverter a tendência este ano.

É preciso notar que esta vai ser uma época com um campeonato muito competitivo. As equipas que desceram há dois anos na I, voltaram a subir na temporada passada. Cambra, Física e Braga têm muita experiência na primeira, nenhuma pode ser considerada como formação de segunda. De entre estas todas, a Sanjoanense é a única que, nos últimos dez anos, só esteve presente uma vez.

Para isso acha que este ano tem um plantel mais equilibrado?

V.P.: Muita gente me diz que temos um plantel melhor, eu acho que nem é melhor nem é pior, a palavra certa mesmo é “equilibrado”. Faltava-nos um jogador de área, pois criávamos muitas movimentações que não conseguíamos finalizar e, ao termos um jogador com estas características faz com que outros como o João Oliveira joguem na sua posição natural. Tivemos a saída do Filipe Leal e entrou o Filipe Sousa que, apesar de vir da II Divisão, já tem experiência de I Divisão. Se calhar não sobe tanto como o Leal fazia mas também isso traz a vantagem de ficarmos mais equilibrados na defesa. Tudo é, agora, uma questão de adaptação e sei que eles vão adaptar-se rapidamente e, com estes jogadores, penso que poderemos colocar novas movimentações além das que já temos e tentar fazer a diferença perante os adversários, que já começam a conhecer-nos e precisamos estar em constante mudança.

Precisamente porque os adversários terão mais em conta a Sanjoanense, uma das armas continuará a ser o “caldeirão” do Pavilhão dos Desportos?

V.P.: Sem dúvida, o nosso pavilhão é especial não pelas condições que tem mas pelos adeptos que temos. É um recinto antigo, infelizmente os balneários são dos mais pobres da I Divisão, mas dentro do ringue é dos mais ricos. Nós jogamos para as pessoas e para os adeptos e, felizmente, podemos contar com eles que estão sempre a apoiar-nos nas vitórias e nas derrotas e isso faz a diferença para motivar os jogadores. Esperamos em casa ser mais fortes e fora de casa conseguir mais pontos, até porque os nossos adeptos também nos acompanham fora de casa.

Analisando o calendário, crê que na primeira volta a equipa deverá fazer mais pontos que na segunda?

V.P.: Às vezes as coisas não são assim tão lógicas. O calendário está mais repartido, tanto jogamos com uma equipa do nosso campeonato como depois jogamos com outra formação mais valiosa, há jogos que podem fazer a diferença e nós vamos ter que os ganhar: em casa e fora de casa. Tudo o resto, fazer objetivos por pontos não é linear, porque há equipas que surpreendem outras ajustam-se e o que interessa é fazer mais pontos que os adversários.

Depois da forma como foi conseguida a promoção e agora a permanência, pensa que está talhado para lidar com a pressão?

V.P.: Preferia que fosse de outra maneira. Preferia ter mais tranquilidade mas um atleta, um treinador, um homem do desporto tem que saber lidar com a pressão. A pressão faz parte do dia-a-dia quer no trabalho quer no desporto. O importante é como as coisas acabam não como começam e é preciso é que elas acabem bem, trabalhar sempre e transformar a pressão em motivação para conseguir pontos e chegar ao fim com o objetivo cumprido.

Tem uma grande relação de proximidade com os adeptos, sente-se bem nesta relação de amizade com eles?

V.P.: São cinco anos e talvez nesta relação também haja uma pressão, mas positiva, estamos a trabalhar, a viver e a treinar tudo na mesma cidade, não há espaço para respirar sem misturarmos tudo. Mas eu sinto que as pessoas gostam do meu trabalho, algumas não gostam mas têm que o aceitar porque o trabalho está lá com resultados, portanto sinto-me apoiado pelos adeptos e enquanto eu me sentir apoiado por eles, pela direção e pelo clube estarei cá, quando assim não for, outros terão oportunidades com mais paixão ou menos paixão, isso é irrelevante.

Agora, sinto um grande orgulho em representar este clube pelo qual joguei tantos anos hóquei em patins da cidade que vivo, onde os meus filhos estudam e acho que existe uma boa empatia entre mim e os adeptos.

 

Foto: Anybal Bastos

Vítor Pereira presente em mais um “Summer Camp”

O treinador da Sanjoanense, Vítor Pereira, marcou presença, pelo terceiro ano consecutivo, no “Summer Camp” uma ação realizada pela Seleção inglesa que visa a evolução dos atletas de vários escalões etários.

Fruto da boa relação entre os alvi-negros e os ingleses, o técnico colaborou com o staff britânico liderado pelo português Carlos Amaral.

No dia 24, Vítor Pereira volta a liderar a equipa da Sanjoanense com o arranque da pré-temporada. A permanência é o objetivo assumido para o campeonato.

Imagem positiva na apresentação aos sócios

  • Plantel sénior apresentou-se aos sócios e simpatizantes.
  • Bons apontamentos, apesar da derrota.

Foi na tarde do último domingo que jogadores e staff técnico desfilaram, um a um, na cerimónia que antecedeu o jogo de apresentação da equipa sénior de futebol da Associação Desportiva Sanjoanense, diante do FC Arouca.

Perante algumas centenas de adeptos, que marcaram presença no Conde Dias Garcia para conhecer as caras novas do plantel alvinegro, os pupilos de Ricardo Sousa disputaram mais um jogo de preparação para a nova época, mantendo o caráter exigente que tem pautado os trabalhos de pré-temporada.

Sob um intenso calor e com um adversário do principal escalão do futebol português pela frente, os homens de São João da Madeira voltaram a apresentar-se a bom nível, não conseguindo, porém, controlar a posse de bola como pretendido.

Já em fase final na preparação para a nova época – que tem início na próxima semana – o FC Arouca soube aproveitar e acabou por ser mais feliz, tendo chegado à vantagem ainda antes do intervalo, por intermédio de Vuletich.

Ainda assim, era a Sanjoanense quem mandava e, mesmo em desvantagem, mostrava maturidade exibicional de registo, pecando apenas pela escassez de oportunidades claras de golo.

Contudo, apesar dos bons momentos individuais e coletivos, os comandados de Ricardo Sousa não conseguiam chegar ao golo e foram os visitados que voltaram a marcar. Maurides, já em cima do minuto 90, confirmou a vitória forasteira, num jogo em que, não obstante o resultado, a formação alvinegra voltou a surpreender, transmitindo apontamentos motivadores e uma imagem positiva, numa altura em que se aproxima o arranque oficial da temporada.

Na próxima quinta-feira (13 de agosto), a Sanjoanense tem mais um teste na preparação para a nova época, defrontando o Gondomar, em jogo agendado para as 18 horas, em S. Vicente de Pereira.

«Aprendi com o meu avô e o meu pai a gostar da Sanjoanense» – Alexandre Pardal

Alexandre Sousa Costa Pardal carrega, no próprio nome, a imagem de uma das mais importantes figuras da história da Associação Desportiva Sanjoanense.

Neto de Sidónio Pardal, sócio fundador do clube, herdou, com naturalidade, o amor pela instituição, na qual se iniciou para o futebol com apenas 6 anos, por influência do pai.

Com passagem por todos os escalões de formação da Sanjoanense, ainda cumpriu o primeiro ano de sénior no clube, mas a pouca utilização levou-o, com a tristeza da saída, ao vizinho Carregosense, ao serviço do qual se estreou, por obra do destino, contra o clube do coração.

Porém, uma temporada foi suficiente para voltar a convencer os dirigentes alvinegros, que não tardaram a lançar-lhe o convite para o regresso. Assim, voltou a São João da Madeira no ano seguinte e por cá ficou, tendo-se afirmado, nas duas últimas épocas, como figura importante do plantel principal, pela regularidade exibicional apresentada.

Aos 22 anos, foi uma das primeiras apostas para a nova temporada e prepara-se, assim, para mais um ano no clube que o viu crescer.

Em conversa com o nosso site, Pardal fala com abertura sobre a sua experiência, a influência da família e tudo o que o rodeia, sem fugir aos temas mais sensíveis. Lança ainda os objetivos para a nova época, aborda sonhos e ambições e conta, inclusivamente, algumas curiosidades que marcam a ainda curta carreira.

Antes de mais, fala-nos um pouco sobre ti. Como é o Pardal?

De forma resumida, sou um rapaz que gosta de futebol, sou apaixonado pela modalidade e posso dizer que vivo essencialmente para ela. Vivo muito para o futebol, para a minha família e para os meus amigos. Sou um rapaz simples, amigo do amigo e pacato.

Porque decidiste começar a praticar futebol?

Foi mais por iniciativa do meu pai. Eu andava na natação mas o meu pai, como gosta muito de futebol e é apaixonado pela Sanjoanense, falou com o treinador, que na altura era o Zequinha, e acabei por ir fazer um treino, quando tinha ainda cinco anos. Na altura apenas jogava futebol na rua, com os amigos, mas gostei do treino que fiz e acabei por escolher a modalidade.

Ainda assim, na altura não podia entrar para o escalão, porque a idade mínima eram 6 anos. Fiz alguns treinos, parei e quando completei a idade necessária entrei nas escolinhas da Sanjoanense. Desde aí, até hoje, sempre estive ligado ao futebol.

És neto de Sidónio Pardal, um dos sócios fundadores da Associação Desportiva Sanjoanense e figura notável da nossa cidade. O que é que isso representa, para ti?

A nível pessoal é um orgulho. É fantástico passar na rua e deparar-me com pessoas que conheciam o meu avô, que me dizem que era uma grande pessoa e que ajudou muito a Sanjoanense. Quando ouço isso sinto muito orgulho, é muito bom!

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Alexandre Pardal na Sala Sidónio Pardal, na Sede da Associação Desportiva Sanjoanense. Fotografia: Daniel Oliveira/ADS

E a própria instituição, o que representa em termos pessoais?

É o meu clube. Aprendi com o meu avô e o meu pai a gostar da Sanjoanense e desde miúdo que a acompanho, ainda que mais no futebol. Sou sócio desde muito novo e é o meu primeiro clube. Se ao sábado ou domingo não houver jogo, já não é a mesma coisa… Sinto que me falta algo. E isso foi-me incutido pelo meu avô e pelo meu pai.

Que características distinguem, na tua opinião, a Sanjoanense dos restantes clubes?

É um clube diferente. Temos, por exemplo, clubes como o Feirense, a Oliveirense ou o Lourosa bem perto de nós e, quando comparados com a Sanjoanense, toda a gente percebe que são diferentes, pela massa associativa e pela história que nos caracterizam. É certo que não é o historial que joga mas é algo que diz muito de um clube.

A Sanjoanense move uma grande quantidade de adeptos, que marcam presença nos estádios e pavilhões onde jogamos, e isso representa bem essa diferença.

Para além disso, somos um dos mais ecléticos clubes em Portugal. A Sanjoanense não é só futebol, como são muitos à nossa volta. Acolhemos centenas de jovens, mesmo de localidades vizinhas, que têm aqui a oportunidade de praticar a modalidade de que gostam.

É um clube diferente por tudo isso…

São muitas as vozes que apontam a Sanjoanense como um “monstro adormecido”. O que é que, na tua opinião, falta ao clube para que possa voltar a assumir a sua importância no panorama nacional?

Apoios. Acho que, a nível de organização, a Sanjoanense recuperou de algumas lacunas que se verificavam há alguns anos e hoje é um clube bem gerido, organizado e que trabalha bem em todas as áreas. Acredito, sinceramente, que faltam apoios, que podem passar por uma maior envolvência das empresas da nossa cidade. Deixa-me triste, por exemplo, chegar a Santa Maria da Feira e ver, no estádio do Feirense, o nome de uma empresa sanjoanense que não se encontra no nosso estádio. São opções e não quero, com isto, criticá-las, mas penso que são esses apoios que faltam à Sanjoanense e que podem fazer com que o clube atinja patamares superiores.

Falando um pouco do teu percurso, fizeste toda a formação no clube mas, no segundo ano como sénior, acabaste por fazer a tua única época, até ao momento, longe de São João da Madeira. O que é que significou a saída do teu clube de sempre?

Foi triste… Na altura em que saí senti-me triste. Não com o clube, mas com algumas das pessoas que o dirigiam. Penso que a maneira como saí não foi a mais correta. Não digo que não tivesse que sair, porque isso são opções, mas senti tristeza pela forma como fui tratado. Mas, como disse, não culpo o clube, longe disso. Penso que, nesse caso, a culpa foi das pessoas que para ele trabalhavam.

Mas foi um ano diferente, um ano de aprendizagem. Quando saí tinha sempre o objetivo de voltar e, depois de ter feito uma boa época no Carregosense, durante a qual participei em quase todos os jogos, acabei por ser convidado a regressar. Nem olhei a valores… Vim porque o meu objetivo sempre foi regressar o mais rapidamente possível.

Ao longo da formação, destacaste-te como extremo mas, durante o ano em que representaste o Carregosense, acabaste adaptado a lateral direito. Como é que encaraste a nova posição?

Foi engraçado. Quando cheguei ao Carregosense ainda jogava a extremo mas houve um jogo em que era preciso marcar um adversário e não tínhamos laterais. O Luís Miguel, que era o meu treinador da altura – também com a ajuda do Pedro Justo, que acredito que lhe tenha dado algumas referências –, colocou-me a jogar a lateral e o jogo acabou por me correr bastante bem. A partir daí fui aposta, comecei a ganhar rotinas na posição e hoje em dia sinto-me muito melhor nessa zona do campo. Acabo por conseguir fazer as duas coisas: atacar como um extremo e ser mais responsável por saber que tenho que defender.

Alguma vez pensaste que, depois da saída, pudesses regressar tão cedo à Sanjoanense?

O meu objetivo, como disse anteriormente, sempre foi regressar no ano seguinte. Nunca pensei noutra coisa. Mesmo estando fora, torcia pela Sanjoanense e queria que conquistassem a subida, que andavam a disputar com o Lourosa.

Aliás, o primeiro jogo que fiz pelo Carregosense foi contra a Sanjoanense e posso dizer-vos que nem sequer consegui dormir na noite anterior! E acabei por entrar muito nervoso no jogo…

O meu objetivo era voltar o mais cedo possível. Acabei por ser convidado a regressar logo no final da época e não hesitei.

Sabemos que, há pouco tempo, foste abordado na rua por um jovem que costuma ver os jogos da Sanjoanense e que confessou a admiração que sentia por ti. O que é que esse reconhecimento significa para ti?

É espetacular! Estamos habituados a ver isso em jogadores de clubes de topo e nunca pensamos que isso nos pode acontecer. Do nada, o miúdo veio ter comigo e dirigiu-me algumas palavras simpáticas e isso faz-me sentir bem e pensar que estou no caminho certo, a trabalhar bem. Fico bastante feliz e orgulhoso.

Quanto ao presente, foste uma das primeiras apostas para a próxima temporada e renovaste o vínculo que te liga ao clube. O que é que esperas da nova época?

A nível pessoal espero jogar e evoluir mas sempre com os objetivos do clube e do coletivo em primeiro lugar. Temos uma excelente equipa e acredito que vamos fazer um grande campeonato. Queremos garantir a manutenção o mais rapidamente possível e, se conseguirmos algo mais, melhor.

Agora é trabalhar bem como trabalhei nos últimos dois anos e esperar que o treinador confie em mim. E tenho a certeza que os objetivos individuais e colectivos serão alcançados.

Muito se tem falado sobre as alterações no plantel, desde jogadores a equipa técnica. Depois de duas semanas de trabalho, como é que o balneário tem encarado esta nova experiência?

Tem sido fantástico. Como já disse, o clube trabalhou muito bem nesse sentido e hoje posso dizer que melhorámos bastante. As pessoas que estão na Sanjoanense são fantásticas, temos um grupo excelente, com uma equipa técnica com pessoas incríveis, e, nestas duas semanas, temos revelado muita união e responsabilidade, apesar das brincadeiras normais. Foram duas semanas bastante positivas que se prolongarão ao longo da época, com toda a certeza.

Qual é, para ti, o melhor momento enquanto atleta da Sanjoanense?

A subida de divisão nos juniores. Lembro-me também a conquista do campeonato distrital de iniciados, que era uma ambição do clube porque era o único escalão que faltava ter nos campeonatos nacionais.

Mas a conquista principal foi a promoção nos juniores. Era um ano em que tínhamos um plantel com poucas soluções. Éramos 17/18 jogadores e jogámos contra Boavista, Salgueiros, Padroense, Oliveirense… Clubes que tinham bons plantéis. Lembro-me que quando saiu o calendário pensámos que a manutenção seria complicada, mas fomos ganhando, conquistando pontos e conseguimos a subida de divisão. Colocámos a Sanjoanense no patamar mais alto daquele escalão. Foi um momento de muita alegria e acho que foi o melhor momento que vivi como atleta da Sanjoanense.

E o pior?

Ter saído. Foi triste… Foi uma opção das pessoas que estavam à frente da Sanjoanense, que entenderam que seria o melhor para o clube. Mas já passou e agora só tenho que olhar em frente e continuar com o trabalho que tenho desenvolvido.

Que ambições tens para o futuro?

Para já quero ajudar a Sanjoanense a alcançar os objetivos a que se propôs no início da época e, a nível pessoal, quero tentar conquistar o melhor para mim, se possível com muito tempo de jogo.

Posteriormente, quero tentar alcançar patamares superiores. Se o puder fazer com a Sanjoanense, melhor. Caso não seja possível, gostaria, pelo menos, de o fazer sabendo que a Sanjoanense lucrava com a minha saída… Um pouco à imagem do que aconteceu com o Gian, cuja proposta foi benéfica para ambas as partes.

Que conselhos dás aos jogadores mais novos da nossa formação?

Que tenham alegria a jogar. Digo, principalmente aos mais novos, que não pensem que estar na Sanjoanense é estar num clube menor e que não se iludam com todas as propostas de clubes de topo que possam aparecer. Tenho amigos que fizeram toda a formação em clubes de topo e que se sentiram injustiçados em certo ponto. Os jovens têm tempo de chegar lá, não são uns craques do futebol aos 6/7 anos. O importante é que consigam conciliar o desporto com os estudos e essa sempre foi uma prioridade da Sanjoanense. Joguem com alegria, estudem e não pensem já em altos voos. Têm tempo para poder sonhar!

Para terminar, qual é o teu grande sonho enquanto jogador da Sanjoanense?

Gostava de conseguir a promoção aos campeonatos profissionais. Acho que já a merecíamos, não só pela organização e historial da Sanjoanense, mas também porque é um clube que faz falta ao futebol profissional, pela massa associativa de que dispõe. Se o conseguir fazer, um dia, será um grande orgulho e a conquista de um objetivo.

Pardal 2
Fotografia: Daniel Oliveira/ADS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pardal 3
Fotografia: Daniel Oliveira/ADS

 

 

Pedro Fernandes/Daniel Oliveira